João Wesley: Coração Aquecido e Metodismo
Ao
comemorarmos a experiência do “Coração Aquecido”, recordamos a ação de Deus na
vida de John Wesley. Mas, ao mesmo tempo, precisamos refletir que não foi uma
experiência que aconteceu ou que se manifesta sobre a vida de alguns.
Na Inglaterra do século 18, a Igreja sofria um grande descrédito e
a vida cristã estava em baixa. Por um lado, devido ao contexto racionalista
daquela época, onde o desenvolvimento filosófico e científico fez com que a
religião fosse definida como uma mera superstição, coisa de gente pobre e
ignorante, de mulheres e pessoas idosas. Por outro lado, a própria Igreja havia
se corrompido, com os sacerdotes e líderes das igrejas adotando um estilo de
vida nada digno do Evangelho de Cristo.
O
bispo Ensley conta que foi no meio do “congelamento ártico” de tal época que o
coração do reverendo João Wesley foi “estranhamente aquecido” naquela noite de
24 de maio de 1738, enquanto participava de um culto dos cristãos moravianos na
Rua Aldersgate, em Londres. Num mundo onde o evangelismo era algo inadequado e
implausível, Wesley experimentou a salvação, tendo uma impactante e profunda
experiência com Deus: “Senti meu coração estranhamente aquecido, cheio de
ardor. Senti que meus pecados eram perdoados”.
A
experiência do Coração Aquecido foi à resposta de Deus às suas orações por mais
e mais de Cristo. Foi à vitória sobre os inimigos espirituais que o perturbavam
e procuravam flagelar sua alma. Não foi a única experiência de Wesley com Deus,
mas foi o momento de um crescimento espiritual significativo, que o ensinou a
experimentar, confiar e a depender da graça de Deus em todo o tempo e por toda
a sua vida Wesley nunca “endeusou” (supervalorizou) aquela importante
experiência do “Coração Aquecido”.
À medida que o tempo passava, aquele momento
parecia ter menos significado para Wesley, pois novas experiências com Deus iam
acontecendo. Mas a experiência religiosa do Coração Aquecido marcou o início do
fim da religião legalista, ritualista, tradicionalista, individualista,
sectária, teórica, apática, sem ardor espiritual, sem visão missionária, sem
paixão pelas almas perdidas, sem desejo por santidade, etc.
A
experiência do Coração Aquecido que inflamou ardorosamente o coração de Wesley
marcou o fim da frieza emocional e o início de uma espiritualidade onde havia
crescente satisfação da fé que age pelo amor. Deu o ardor espiritual e
missionário necessário a ponto de inflamar e apaixonar Wesley para a tarefa
evangelística. Ele disse: “Nada a fazer senão salvar almas”. Ou, nas palavras
do bispo Nelson Leite, “evangelizar como um ato de amor, de dádiva, de
identificação e solidariedade”. Evangelizar com o objetivo de “remediar a
culpa, a ignorância, o sofrimento físico, a degradação social dos perdidos e
dos pobres”.
E
segundo o bispo Ensley, Wesley queria a conversão das pessoas, mas queria
também a mudança de seu país, seus costumes e valores. Assim, o Metodismo de
Wesley e seus contemporâneos produziram “uma nova filantropia que reformou as
prisões, infundiu clemência e sabedoria às leis penais, aboliu o tráfico de
escravos e deu o primeiro impulso à educação popular”. Uma santidade que
santifica tudo ao redor... Que se espalha! E o bispo Ensley ressalta que tudo
isso ainda deve ser do interesse dos metodistas de hoje: isso tudo deve
ser a causas das igrejas e de cada um dos seus crentes.
E
assim, em vez de gastarmos tanto tempo falando do que não somos e do que
deveríamos ser, vamos efetivamente retomar nosso papel e serviço na História da
Salvação e fazer parte ativamente da História de nosso bairro, da nossa cidade
e de nosso país.
Ou,
como disse Wesley: “Nada a fazer senão salvar almas”. “Importa que Cristo
cresça e eu diminua” (Jo 3.30).
Que
o Senhor nos abençoe e nos santifique com sua graça e seu Espírito Santo.
Aleluia!
Artigo
baseada no livro João Wesley, o Evangelista, do bispo Francis Ensley,
com citações livres dessa obra.
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